ALGUMA COISA A RESPEITO DA GENEROSIDADE
“A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente.”
Muito se fala na tal generosidade, no ato de “dar o que tem sem olhar a quem”. Será que é mesmo por aí? Os políticos brasileiros, extremamente generosos (entre si), criaram até o tal de “é dando que se recebe”. É uma variação, oportunista, da famosa oração de São Francisco de Assis, que visa apenas os bens espirituais, mas nas mãos dos nossos políticos, virou objeto de troca de favores eleitoreiros ou políticos, sempre em benefício apenas dos envolvidos. Se, por acaso, esses benefícios respingarem em alguém fora do círculo, é pura sorte!
Mas não é sobre isso que quero falar agora. É sobre a generosidade pura, sem expectativas pessoais, apenas a vontade de dividir o que temos com quem necessite e, muitas vezes nem espere pelo gesto, pelo sentimento. Sim, pois a generosidade não é simplesmente material. É essencialmente espiritual. Não é um ato político, mas de desapego, de desprendimento, visando apenas o bem do próximo, não importa quem.
Não adianta limparmos nossos armários e distribuirmos nossos objetos usados e roupas velhas, que já não nos servem mais. Claro que essa distribuição poderá fazer bem a alguém, mas não é, necessariamente, um gesto de generosidade. Afinal, precisamos abrir espaço em nossos armários para novos objetos e novas peças de roupas. Não deixa de ser um gesto de caridade, que ajudará alguém para quem sirvam aquelas roupas. Mas a generosidade consiste em não nos apegarmos, avaros, àquilo que obtivemos e compartilharmos com nosso próximo. Podem ser bens materiais, mas também podem ser bens espirituais, como carinho, companheirismo, amor. Pode ser o tempo que usamos tratando de um doente, ensinando algo a alguém, fazendo uma tarefa que contribuirá para o bem estar de outro, sem qualquer tipo de compensação material.
Quando acontecem catástrofes como enchentes, deslizamentos de terra, terremotos e outros acidentes da natureza, muita gente se mobiliza reunindo rapidamente roupas, calçados, colchões, alimentos e os enviam para os desabrigados. Nesses casos, não se sabe para quem irão aqueles objetos, mas apenas que serão extremamente úteis, contribuindo para retomarem suas vidas, recomeçarem praticamente do zero. Esta forma desinteressada de doação, além de nos enriquecer espiritualmente, faz com que nos sintamos mais humanos e em maior sintonia com nossos próximos, no caso, os que tudo perderam.
São tantas as formas de exercitarmos a generosidade!
Trata-se, simplesmente, de escolher um livro (que possa ser útil a alguém!) e “esquecê-lo” em algum lugar para ser encontrado por alguém. Você pode deixar dentro do livro, um bilhete explicando que o mesmo não foi esquecido por acaso, e sim deixado ali para ser compartilhado. Peça, no bilhete, para que a pessoa, após terminar a leitura, faça o mesmo, difundindo o hábito da leitura na tentativa de atingir pessoas que, muitas vezes não têm condições financeiras de adquirir um livro. E dessa forma estaremos exercitando o desapego.
Nesta postagem, referente à 3ª edição, a Luma explica direitinho do que se trata e como poderemos ajudar a difundir esta prática. Já aqui ela fornece todas as opções para participar desta 5ª edição que acontecerá entre os dias 08 e 16 de novembro.
Mas é minha opinião que não precisamos nos limitar a essas datas para praticar esse ato generoso de libertar um livro, compartilhando nosso conhecimento, difundindo o hábito da leitura e, muitas vezes, colocando o livro nas mãos de alguém que não poderia adquiri-lo de outra maneira. Podemos fazer desse “esquecimento” um hábito. Deixando o livro já lido em um banco de praça, ou de ônibus. Dentro de um carrinho de supermercado, ou sobre o balcão de uma loja. Em qualquer lugar, por mais inusitado que possa parecer, desde que possa ser encontrado por alguém. E você nem precisa ser blogueiro para isso! Basta ser generoso. Afinal, é tão simples ser generoso que, muitas vezes nem somos percebidos ou valorizados como tal! Mas não é em troca de reconhecimento que compartilhamos o que temos. É em benefício de alguém. E não importa quem.
Um gesto de generosidade nos faz sentir mais humanos.





