quinta-feira, 11 de outubro de 2012



ALGUMA COISA A RESPEITO DA GENEROSIDADE


“A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente.”





Muito se fala na tal generosidade, no ato de “dar o que tem sem olhar a quem”. Será que é mesmo por aí? Os políticos brasileiros, extremamente generosos (entre si), criaram até o tal de “é dando que se recebe”. É uma variação, oportunista, da famosa oração de São Francisco de Assis, que visa apenas os bens espirituais, mas nas mãos dos nossos políticos, virou objeto de troca de favores eleitoreiros ou políticos, sempre em benefício apenas dos envolvidos. Se, por acaso, esses benefícios respingarem em alguém fora do círculo, é pura sorte!

Mas não é sobre isso que quero falar agora. É sobre a generosidade pura, sem expectativas pessoais, apenas a vontade de dividir o que temos com quem necessite e, muitas vezes nem espere pelo gesto, pelo sentimento. Sim, pois a generosidade não é simplesmente material. É essencialmente espiritual. Não é um ato político, mas de desapego, de desprendimento, visando apenas o bem do próximo, não importa quem.

Não adianta limparmos nossos armários e distribuirmos nossos objetos usados e roupas velhas, que já não nos servem mais. Claro que essa distribuição poderá fazer bem a alguém, mas não é, necessariamente, um gesto de generosidade. Afinal, precisamos abrir espaço em nossos armários para novos objetos e novas peças de roupas. Não deixa de ser um gesto de caridade, que ajudará alguém para quem sirvam aquelas roupas. Mas a generosidade consiste em não nos apegarmos, avaros, àquilo que obtivemos e compartilharmos com nosso próximo. Podem ser bens materiais, mas também podem ser bens espirituais, como carinho, companheirismo, amor. Pode ser o tempo que usamos tratando de um doente, ensinando algo a alguém, fazendo uma tarefa que contribuirá para o bem estar de outro, sem qualquer tipo de compensação material.

Quando acontecem catástrofes como enchentes, deslizamentos de terra, terremotos e outros acidentes da natureza, muita gente se mobiliza reunindo rapidamente roupas, calçados, colchões, alimentos e os enviam para os desabrigados. Nesses casos, não se sabe para quem irão aqueles objetos, mas apenas que serão extremamente úteis, contribuindo para retomarem suas vidas, recomeçarem praticamente do zero. Esta forma desinteressada de doação, além de nos enriquecer espiritualmente, faz com que nos sintamos mais humanos e em maior sintonia com nossos próximos, no caso, os que tudo perderam. 

São tantas as formas de exercitarmos a generosidade!



Veja, por exemplo, a campanha anunciada no blogue da Luma:


Trata-se, simplesmente, de escolher um livro (que possa ser útil a alguém!) e “esquecê-lo” em algum lugar para ser encontrado por alguém. Você pode deixar dentro do livro, um bilhete explicando que o mesmo não foi esquecido por acaso, e sim deixado ali para ser compartilhado. Peça, no bilhete, para que a pessoa, após terminar a leitura, faça o mesmo, difundindo o hábito da leitura na tentativa de atingir pessoas que, muitas vezes não têm condições financeiras de adquirir um livro. E dessa forma estaremos exercitando o desapego.

Nesta postagem, referente à 3ª edição, a Luma explica direitinho do que se trata e como poderemos ajudar a difundir esta prática. Já aqui ela fornece todas as opções para participar desta 5ª edição que acontecerá entre os dias 08 e 16 de novembro.

Mas é minha opinião que não precisamos nos limitar a essas datas para praticar esse ato generoso de libertar um livro, compartilhando nosso conhecimento, difundindo o hábito da leitura e, muitas vezes, colocando o livro nas mãos de alguém que não poderia adquiri-lo de outra maneira. Podemos fazer desse “esquecimento” um hábito. Deixando o livro já lido em um banco de praça, ou de ônibus. Dentro de um carrinho de supermercado, ou sobre o balcão de uma loja. Em qualquer lugar, por mais inusitado que possa parecer, desde que possa ser encontrado por alguém. E você nem precisa ser blogueiro para isso! Basta ser generoso. Afinal, é tão simples ser generoso que, muitas vezes nem somos percebidos ou valorizados como tal! Mas não é em troca de reconhecimento que compartilhamos o que temos. É em benefício de alguém. E não importa quem.





Um gesto de generosidade nos faz sentir mais humanos.







quarta-feira, 3 de outubro de 2012




7 de outubro de 2012


Numa época em que todo dia é “dia de alguém ou de alguma coisa”, fui procurar quem ou o que se homenageia nesse dia. Encontrei informações conflitantes sobre o Dia do Compositor (7 de outubro, 15 de janeiro ou 5 de março, esta, a data do nascimento do nosso grande compositor Heitor Villa Lobos. Para os católicos é o Dia de Nossa Senhora do Rosário. Como informação complementar e “importantíssima” é o 280º dia do ano no calendário gregoriano (281º em anos bissextos). Faltam 85 para acabar o ano.

E para os brasileiros, em geral? Bem, só sei que 7 de outubro de 2012 ficará marcado como o dia das eleições para prefeitos e vereadores.

Neste ano, infelizmente, estarei impedido de exercer aquele que é um dos nossos mais legítimos direitos: o de eleger nossos representantes municipais! Como vim para São Paulo no início deste ano, meio às pressas devido às doenças dos meus pais já bastante idosos e, nos primeiros meses, às voltas com internações hospitalares e suas consequências, acabei nem me lembrando do título de eleitor e da necessidade de transferi-lo para cá, onde estou residindo por tempo indeterminado. E devido aos mesmos problemas, estou impedido de viajar para a cidade onde posso exercer plenamente esse direito de cidadão. Assim só me resta justificar o voto e pedir a Deus que o povo paulistano tenha discernimento e responsabilidade para eleger o melhor prefeito e os melhores vereadores.

Não que o meu voto fizesse, sozinho, alguma diferença! Mas ele faria com que me sentisse melhor tendo contribuído para esse evento e, estatisticamente, participado da escolha dos próximos dirigentes desta cidade tão rica em contrastes e em diferenças sociais. Tão necessitada de dirigentes que realmente façam seu trabalho em função das reais necessidades dos cidadãos e não apenas em função de acordos e conchavos políticos e muito menos em benefício próprio.

O que se vê por toda parte nestes meses que antecedem as eleições é a politicalha se movendo, como ratos saindo de suas tocas, no sentido de que o povo continue sendo manipulado para que eles não percam o lugar conquistado no poder, mas o consolidem, garantindo, assim, os interesses dos grupos que representam e os seus próprios. Não é a toa que se vê bispos indicando candidatos, políticos mais antigos apoiando seus pares, detentores de recursos e de poder determinando a manutenção do que temos por aí. Não vemos candidatos com verdadeiros programas de governo, destinados ao benefício comum. Vemos apenas arremedos disso, com maquiagem tão carregada quanto as usadas pelas atuais periguetes, peruas ou seja lá o nome que elas tenham.

O principal candidato a prefeito desta cidade, liderando as pesquisas há meses, é conhecido apenas pelo programa demagogo que comandou na televisão durante anos, onde levava uma pessoa do povo a uma loja ou prestador de serviços, para reparar o que estava errado. E o povo, inerme e permanentemente desinformado, escolheu-o como preferido apenas por considerá-lo “defensor dos pobres”! Não estou defendendo nenhum candidato, mas acredito que os que estão em 2º e 3º lugares tenham mais experiência e já tenham realizado mais em suas carreiras políticas do que esse cidadão que tem, como lastro, apenas um programa de televisão.

O ex-presidente da República, que deveria estar descansando em sua aposentadoria, tem se descuidado até da saúde debilitada para fazer com que o “seu escolhido” seja eleito, inclusive (não sei se usarei a palavra correta, ou a mais justa) chantageando politicamente sua sucessora na Presidência da República na tentativa de conseguir seus objetivos. A senhora PresidentA, inclusive, trocou uma ministra para dar um ministério a outra senhora, importante (mas não a melhor) política paulista, que em troca voltou atrás em sua decisão pública de não apoiar o candidato do ex-presidente, apoiando-o como se fosse sua eleitora de primeira hora!

Os outros candidatos, inclusive aqueles que jamais tiveram qualquer condição de atingir o cargo de Prefeito desta cidade, trocam acusações e insultos, mostram as falhas e os pontos fracos dos demais, embora sempre deixem uma brecha para, num eventual segundo turno, negociarem seu apoio a quem pagar melhor.

Infelizmente essa é a nossa política! Essa é a forma de se fazer política neste País! E isso só vai mudar quando os eleitores se conscientizarem de seus legítimos direitos e responsabilidades e passarem a exigir o que se espera dos representantes eleitos. Quando os eleitores, ao invés de se manterem alienados e desinformados, passarem a vasculhar as vidas dos candidatos, não para incriminá-los ou culpá-los de algo, mas para conhecer suas origens, suas histórias e, escorados num perfil digno, escolherem o melhor deles. Só que, para conseguir atingir esse nível de escolha, nosso povo, tão sofrigo, precisa receber melhores condições de saúde e de educação; trabalho e salário dignos e melhores condições de moradia e de locomoção.  

Os maiores problemas desta cidade concentram-se, não necessariamente nessa ordem, em: transporte público, trânsito, segurança, corrupção, saúde e educação. Havendo vontade política e empenho dos nossos representantes, não seria tão difícil resolver, em um, dois, três mandatos, cada um desses problemas. Mas as malditas coligações, conchavos, acordos, rabos presos e interesses de grupos ou pessoais impedem que, uma vez no poder, eles se empenhem em buscar essas soluções. O tempo para realmente governar, legislar e fazer com que se cumpram as leis acaba sendo pouco para o atendimento de todos os compromissos politiqueiros feitos antes das eleições.

Resta-me, já que não poderei utilizar o meu voto, ficar torcendo para que o futuro prefeito e os futuros vereadores façam por esta cidade algo melhor do que os atuais e seus antecessores fizeram! Que venham os melhores!








sábado, 22 de setembro de 2012


Um blogue? De novo?


Eu não cheguei a desistir de blogar, mas parei. Parei por motivos vários, que foram enfraquecendo meu interesse, minando minhas resistências, ocupando meus espaços. Talvez ainda fale sobre esses motivos, mas não é este o momento certo para isso. Afinal, estou preparando este texto para voltar ao mundo dos blogues, reatar antigos contatos, voltar ao convívio de algumas pessoas que se fizeram queridas, que me conquistaram.

Gosto das palavras. De fazê-las renascer, juntar, misturar e, com elas, construir frases. Poderia voltar a elas de uma forma mais “moderna”, utilizando novas mídias, como o twitter, por exemplo. Mas comigo não funciona assim; sou prolixo, não reconheço a hora certa de parar, de colocar um ponto final. Essa é minha maneira de ser, de me expressar, de me comunicar. Preciso de espaço e de muitas palavras para escrever minhas besteiras, arriscar (raramente) alguma aventura poética, sentir-me político, acreditar que um ou outro texto ficou bom de verdade. E nada como um blogue para me sentir à vontade, para receber eventuais leitores como se estivesse na cozinha de casa, ao lado de um café fumegante, recentemente coado.

Lembro que, no final do século passado, eu ainda não tinha muita intimidade com as virtualidades da internet, mas vasculhava a telinha do computador, tentando entender, desvendar, aprender. Foi quando descobri, nem sei como, um site que oferecia a possibilidade de criar um diário. Ali fui me encontrando, realizando minha vontade de escrever para que outras pessoas lessem, recebendo de volta suas impressões, na maior parte elogios, mas também algumas críticas e correções. Ali conheci pessoas que se transformaram em amigos virtuais, alguns deles amigos até hoje. Daquela época posso mencionar o Miguel e a Euza, cujos diários me encantavam e de quem, pouco a pouco me aproximei.

Um dia, em um texto que preparei com muito carinho, acrescentei, timidamente, uma ou duas palavras que não faziam parte daquelas aceitas “socialmente” e os administradores do site me colocaram em quarentena, com a advertência de que o meu diário continha textos ou palavras obscenas. Discuti com eles, argumentei, defendi o meu texto com unhas e dentes, mas eles estavam irredutíveis e, como todo-poderosos “donos” do site, afirmaram que meu diário continuaria com a advertência, sendo acessado apenas por pessoas que assumissem plena responsabilidade por isso. Insatisfeito, só me restava desligar-me dali. Fiz isso com enorme dor no coração e não migrei para outro por falta de conhecimento. Não sei se existia! Algumas pessoas com quem me comunicava tomaram minhas dores, me defenderam perante os administradores e também acabaram se desligando de lá.

Alguns meses se passaram e aquele vazio que havia ficado em minha vida me acompanhava. Trocava e-mails com aquelas pessoas, algumas foram desaparecendo e apenas poucas continuavam presentes. E foi através de uma delas, que entrou para o mundo dos blogues e me convidou para conhecer o seu, que tomei contato com essa nova mídia, que me permitiria falar o que quisesse, enfim, comunicar-me da maneira que mais me agradasse. Ela era também uma loba; não a Euza, embora, através daquele blogue eu tenha chegado ao dela e, por extensão, ao do Miguel. E ali reatamos a nossa amizade, interrompida com a minha saída.

Na blogosfera me encontrei! E fui muito feliz! Fiz novos amigos, participei de outros blogues; de contos escritos a duas, três, quatro mãos; de blogagens coletivas; de festas de amigo secreto e até mesmo de encontros pessoais, onde algumas pessoas despiram-se do adjetivo virtual. Entre elas, posso mencionar o Miguel, a Sonia, a Beti Timm e a Dora, agora fora da blogosfera. Ainda não encontrei pessoalmente a Euza, mas sei que esse encontro é inevitável. Dia desses a gente se esbarra por aí.

Nos últimos quinze anos abri cinco blogues. Parei e voltei algumas vezes. Também era um dos autores do Palimpnóia, que acabou. Os meus dois primeiros desapareceram com as sombras do tempo. Mas os três últimos ainda estão abertos, com suas portas e janelas sempre abertas para quem quiser entrar. Durante este último período de recesso comecei a colaborar com o Memórias de Sampa, cujos autores se reúnem a cada dois, três meses num encontro gostoso, regado a chope e onde se conversa sobre tudo e também se joga conversa fora.

Assim, nunca estive, verdadeiramente, afastado da blogosfera, embora não mantivesse a constância na escrita e o contato com os eventuais leitores. Sentia saudade. Muita! Lentamente a ideia de retornar foi crescendo e se insinuando em meu coração que batia cada vez mais forte. Até que decidi voltar. Mas o que fazer? Voltar às Janelas do Zeca, sempre abertas? Acabei criando outro, este, cujo espaço pretendo ir preenchendo pouco a pouco, com minhas letras, minhas palavras, meus textos. Talvez republique um ou outro; talvez não. Ainda não sei. Não sei nem ao menos qual será a periodicidade das minhas postagens. Mas já estou com alguns textos sendo preparados e com muitas ideias circulando à minha volta.

Lá fora as novas flores saúdam a chegada da primavera. O café está pronto. Recém-coado e quentinho. O coração e os abraços à espera dos amigos e prontos para novas amizades. É só entrar, ler e, se julgar conveniente, comentar.

Sejam bem vindos!





A amizade é um amor que nunca morre.
Mario Quintana


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

TESTANDO


Olá! Este ainda não é um retorno à blogosfera: apenas uma tentativa. Estou testando o visual, as cores, a minha própria capacidade de voltar a escrever. Vontade não falta. Só que o longo tempo afastado me deixou um pouco enferrujado e, por isso estou testando.




Até qualquer hora!